IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA |
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DIA 5 DE OUTUBRO
Um dos primeiros decretos da República é o que, com data de 8 de Outubro de 1910, determina que a Procuradoria-Geral da Coroa e Fazenda, mantendo embora as suas anteriores atribuições, passe a denominar-se Procuradoria-Geral da República, alteração extensível às procuradorias régias e aos diversos escalões da magistratura do Ministério Público. Assinou o diploma o ministro da justiça e futuro presidente do Ministério Dr. Afonso Costa.
A acção codificadora da primeira República foi muito reduzida no que se refere ao Ministério Público e, em geral, ao sistema judicial. A organização judiciária continuou a regular-se substancialmente pela Novíssima Reforma Judiciária, "esfrangalhada, remendada, cerzida, acrescentada por uma infinidade de diplomas posteriores", na descrição vigorosa de Barbosa de Magalhães. A primeira República saldou-se, no entanto, por uma série de tentativas frustradas de reforma do sistema judicial, em que se contam os projectos dos deputados Mesquita Carvalho (1912), Abraão de Carvalho (1915) e Catanho de Menezes (1916) e o do juiz Alfeu Cruz (1918). Os trabalhos parlamentares da Constituição de 1911 reflectem o reduzido espaço que a questão do Ministério Público ocupou na temática da justiça. Se exceptuarmos os projectos dos deputados Machado dos Santos (que preconizava a separação entre os quadros e carreiras das magistraturas judicial e do Ministério Público) e Boto-Machado (que propunha um capítulo próprio para o Ministério Público, com o procurador-geral da República a assumir a qualidade de tribuno do povo quando funcionasse junto da Câmara dos Censores - Vigilantes da Constituição), não encontramos senão referências de circunstância esta magistratura. O primeiro Procurador-Geral da República foi Manuel José de Arriaga Brum da Silveira (Manuel de Arriaga). Figura de destaque na advocacia, filiou-se no Partido Republicano, de cujo directório fazia parte em 1891, com Jacinto Nunes, Azevedo e Silva, Bernardino Pinheiro, Teófilo Braga e Francisco Homem Cristo. Com a instauração da República, foi nomeado procurador-geral da República, em 17 de Novembro de 1910. À sua posse, assistiu o Ministro da Justiça, Afonso Costa. Em 24 de Agosto de 1911, foi eleito Presidente da República. Em 14 de Agosto de 1914, rebentou a 1ª Grande Guerra, redobrando a agitação interna que decorria da falta de apoio parlamentar aos sucessivos governos que formou. Sucedeu a Manuel Arriaga, nas funções de Procurador-Geral da República, o Conselheiro Azevedo e Silva que tomou posse em 1912. |
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Última actualização: 24/02/97
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